A importância do equipamento

Proteção acima de tudo
Conduzir uma mota é perigoso, sim, tem os seus riscos, e o equipamento de proteção é a garantia de que, em caso de queda ou acidente, minimizas as consequências.
Sejamos sinceros connosco, andar de mota é muito mais perigoso do que conduzir um carro! Mas também o é, na minha opinião, muito mais divertido. Contudo, para nos podermos divertir, temos que garantir que o plano de segurança está ativado, e usar equipamento é o que está ao nosso alcance, enquanto pilotos, condutores, utilizadores de mota, para garantir essa segurança possível.
Os acidentes acontecem, e por mais cuidadosos que possamos ser, nunca podemos prever todas as possíveis situações inesperadas com outros condutores, situações da Natureza, animais, entre outros fatores que possam causar-nos uma infelicidade. E se isso acontecer, de que lado queres ter a tua consciência? Do lado de quem sabe que fez a sua parte de condução segura e uso de equipamento, ou do lado de quem fica com aquele peso de saber que podia ter feito muito mais, sobretudo a nível de equipamento, para minimizar as consequências?
Eu não tenho dúvidas de qual é a minha escolha! Se no inverno até sabe bem usar o equipamento completo, porque o frio e a chuva convidam a esse uso, no verão, com o calor, tende a haver maior descuido e uma condução de t-shirt, calção e chinelo. Quem não se sentiu já tentado a isso, nem que seja num trajeto curto?
Nessas alturas de maior calor, costumo recordar-me de uma frase que os nossos companheiros brasileiros usam: “mais vale suar, do que sangrar“. E têm toda a razão! Para mim, esta frase é a que melhor define a importância do uso de equipamento completo de proteção durante a condução de uma mota.
Além da função de proteção em caso de queda ou acidente, o equipamento tem ainda algumas outras funções, como a de conforto e proteção contra os elementos naturais.
Quem nunca sentiu o impacto de um inseto ou pedra numa mão, ou uma picada de vespa durante a condução? Pois é, o equipamento minimiza estes impactos e possíveis picadas que, em alguns casos, podem até provocar acidente.
Chuva, vento gelado, frio, são tudo elementos naturais dos quais o equipamento ajuda a proteger!
E o sol forte das épocas quentes? Quem conduz por várias horas no verão sabe bem o risco que corre se tiver a pele exposta ao sol. Ainda que a sensação térmica provocada pela deslocação do ar possa ser bastante agradável, a possibilidade de apanhar um escaldão é elevada. E, adivinha, o equipamento ajuda a evitar isso!
Equipamento obrigatório
Para conduzir mota em Portugal, e na generalidade dos países, o único equipamento obrigatório é o capacete.
Em alguns países já existe obrigatoriedade de usar algo mais, como o caso de França, onde é obrigatório, além do capacete, luvas certificadas e um colete de visibilidade que deve acompanhar (não necessariamente vestido) o condutor, para ser usado em caso de acidente, avaria ou paragem forçada.
No entanto, vais querer ler o capítulo seguinte, onde refiro os elementos de equipamento além do obrigatório.
Equipamento essencial
Arrumada a questão do obrigatório, passemos ao que considero equipamento essencial para a tua proteção:
- Casaco/blusão – é a garantia de proteção de uma das zonas vitais do teu corpo, onde tens os órgãos mais importantes (além da cabeça). Tem também uma das funções mais importantes a nível de manutenção do conforto térmico.
Deve ser feito de material resistente a abrasão (geralmente cordura ou cabedal), que permita deslizar pelo asfalto sem se desfazer.
Deve conter três proteções essenciais, sendo elas a de costas ou coluna, a de ombros e a de cotovelos ou braços. Estas proteções nem sempre acompanham o casaco. Algumas marcas optam por vender em separado, pelo que é importante, quando escolhes um casaco, verificar quais as proteções que o acompanham e a qualidade destas, pois poderá ser necessário considerares gastares um valor superior para teres proteção total.
Deves evitar que seja demasiado largo, para que não faça efeito “balão” com a deslocação do ar, ou seja, deve ser justo quanto baste para que tenhas conforto e fluidez nos movimentos.
Existem casacos adaptados para inverno, quentes e com boa resistência contra chuva, casacos para verão (geralmente muito arejados), mas também existem os que são preparados para uso em todas as estações (geralmente com um forro interno removível); - Luvas – são, geralmente, a primeira barreira em caso de queda ou acidente. Enquanto seres humanos, temos tendência a colocar as mãos como primeiro ponto de impacto para proteger as zonas vitais (cabeça e tronco).
As luvas garantem que o teu contacto com os punhos e as manetes da mota é sempre regular, evitando as oscilações provocadas pela pele seca e fria no inverno, bem como pelo suor no verão.
Protegem contra impactos de insetos, pedras ou outros objetos que sejam projetados por outros veículos e evitam que sofras com o frio no inverno. Acredita que conduzir uma mota com as mãos geladas não é agradável, nem seguro!
Devem ser feitas de material resistente a abrasão (geralmente cordura ou cabedal), que permitam deslizar pelo asfalto sem expor a pele das tuas mãos. Devem ter proteções a nível dos nós dos dedos, que são geralmente pontos de impacto e, consequentemente, onde há maior probabilidade de surgirem lesões. Devem ter, nas palmas, um material que permita um ótimo compromisso entre aderência e correto deslizar das manetes (embraiagem e travão), pormenor que a maioria das marcas tem em consideração.
Deves escolher luvas adequadas ao tamanho da tua mão para que tenhas conforto e fluidez nos movimentos, garantindo que, em caso de queda ou acidente, não vão saltar ao primeiro impacto ou contacto com o asfalto.
Existem luvas adequadas a cada estação ou época do ano, pelo que deves considerar, no mínimo, a compra de um par para época quente e outro para época fria; - Calças – além de garantirem conforto térmico das pernas, que tendem a arrefecer bastante com a deslocação do ar, são a garantia de que duas das articulações mais importantes e críticas para a nossa mobilidade estão protegidas, os joelhos e a coxofemoral (bacia e fémur).
À semelhança do casaco e das luvas, devem ser feitas em material resistente a abrasão, geralmente cordura ou cabedal.
Devem ter proteções ao nível dos joelhos e bacia (cabeça do osso fémur).
Deves escolher calças que sejam justas quanto baste para teres movimentos fluidos, conforto, e, tal como o casaco, evitem fazer o efeito balão com a deslocação do ar.
Poderás optar, como eu prefiro, por calças de ganga específicas para motociclismo, com proteções ao nível dos joelhos e anca, mas deves ter em consideração que o nível de resistência a abrasão deste material é inferior à cordura. Além disso, são também geralmente mais fracas em termos de manutenção térmica e capacidade de resistir à entrada de água durante a chuva; - Botas – são a proteção dos teus pés e de uma articulação que, por estar muito exposta, tende a sofrer lesões em acidentes ou quedas de mota, o tornozelo, que facilmente fica debaixo da mota num despiste, ou entre a mota e o obstáculo em caso de colisão.
São também a garantia de conforto térmico, proteção contra impactos provocados por insetos, pedras ou outros objetos.
A esmagadora maioria das botas para motociclismo têm um formato que permite um adequado e fluído movimento do pé entre os pousa pés e as alavancas de travão e de velocidades.
Devem ter três pontos importantes de proteção: biqueira, calcanhar e tornozelos. Por isso, opta por uma bota que cubra eficazmente a zona dos teus tornozelos.
Evita botas que tenham cordões próximos da biqueira, uma vez que estes podem ficar presos numa das alavancas e provocar um acidente.
Geralmente, em botas de motociclismo, a bota esquerda costuma ter um reforço de tecido na parte superior, próximo da biqueira, para evitar o desgaste provocado pelo operar da alavanca das mudanças, garantindo também o correto grip entre a bota e esta. Em algumas botas, por questão de uniformidade visual, este reforço vem também na direita.
Outro fator a ter em consideração é a qualidade da borracha da sola, que deve garantir uma boa aderência tanto aos pousa pés, quanto ao asfalto. Acredita que colocar o pé no chão e sentir este a deslizar dá direito a uns belos sustos, ou mesmo quedas. E por falar nisso, atenção nas bombas de combustível, onde o combustível derramado no chão pode parecer manteiga!
Considerações finais
Por fim, dois conselhos que te deixo:
- Orçamento – se estás a entrar no motociclismo e ainda não tens o equipamento completo, deves considerar, além do valor da mota e seguro, um valor necessário para a aquisição do equipamento obrigatório e essencial. Não precisas gastar uma fortuna em equipamento de topo, mas deves manter em mente que é sempre melhor usar equipamento adequado (ainda que mais barato) do que não o usar;
- Bons hábitos – sobretudo se estás no início da tua carreira de motociclista, é muito importante que te habitues a usar sempre o equipamento completo. Criar bons hábitos vai evitar o problema com que eu, por exemplo, me deparei, que ganhei o hábito de usar calças de ganga casuais e nos últimos anos me tenho forçado a andar com calças com proteções. Ou seja, tive que passar por uma adaptação!
Se te habituares a usar sempre equipamento adequado desde o início, será um bom hábito, evitas adaptações e andarás protegido.
No fundo, é como se definisses que todo o equipamento é obrigatório.
Boas curvas ✌️